sábado, 14 de outubro de 2017

Peregrinação do CVOM a Fátima - 7 e 8 de Outubro de 2017

No fecho do centenário das Aparições em Fátima, o CVOM fez mais uma peregrinação com os seus idosos e doentes, provindos do Porto.
Agradecemos muito o acolhimento, sempre jovial e amigo, do Rev. Pe Mário Verdasca, da Paróquia de Santa Catarina da Serra, que nos cede o alojamento.
A peregrinação cumpriu um programa que incluiu a consagração a Nossa Senhora, ainda durante a viagem antes de chegar aa Coimbra e depois falou-se da Espiritualidade da nossa peregrinação e foi feita  leitura do texto sobre a 3ª aparição com a descrição do milagre do Sol e de dois textos um do S. João Paulo II e outro de S.S. o Papa Francisco.
No fim da tarde de sábado  seguimos para Fátima, onde  participamos na oração do terço e Procissão das velas.
No domingo, de manhã, seguimos novamente para Fátima para fazermos o Caminho Jubilar (1º Pórtico do Centenário, Capelinha das Aparições, Túmulo dos Pastorinhos, Capela do Santíssimo Sacramento).
Participamos na Eucaristia e da parte da tarde, ainda sob um sol escaldante, fizemos a Via Sacra nos Valinhos.
A nossa presença ainda permitiu assistir alguns peregrinos no Santuário, tanto no dia 7 como no dia 8.
Despedimo-nos de Nossa Senhora ao meio da tarde e rumamos novamente ao Porto e no caminho  
rezamos a oração de oferta do Santo Padre e entregamos os postais comemorativos da peregrinação.
Também lemos uma mensagem escrita pelo Rev. Pe João Pedro Bizarro que, estando em Roma, se quis associar a esta nossa acção, deixando-nos palavras amigas e encorajadoras para o nosso Caminho, texto que aqui reproduzimos para todos:



Caros voluntários e amigos,

Escrevo-vos esta reflexão em forma de carta, pois como bem sabeis, estou em Roma. Muito gostaria de estar aí convosco, mas a missão que me foi confiada não o permite.
A nossa “chefe”, a enfª Maria José Vilas Boas pediu-me para apresentar um texto onde pudesse relacionar o “milagre do Sol” com Cristo. Mas não um Cristo numa das suas muitas facetas, mas o Cristo da Eucaristia. Como se não fosse talvez bastante difícil esta relação, ainda acrescentou: “não te esqueças de relacionar com o nosso trabalho no CVOM”. Pronto, agora sim temos a “cereja no topo do bolo”…
Há cem anos, neste mesmo local que agora deixamos, apareceu a 3 pastorinhos a Virgem Maria. O que agora parece fácil de acreditar, na altura levantou muitas dúvidas, incómodos e para alguns políticos e bispos uma “dor de cabeça”.
- É mentira – diziam alguns – é verdade – acreditaram outros. Para acabar com tanta dúvida a Senhora (agora de Fátima) disse às crianças que faria um milagre para que acreditassem. Muitos viram acontecer, muitos acreditaram, outros não. Mas caros amigos não se espantem, pois esta história não tem novidade nenhuma, até para ser justo, só vem repetir uma outra história mais antiga mas em tudo semelhante.
Há dois mil anos, o filho desta Senhora, à volta de uma mesa deixou-nos ficar um sinal ainda maior do que o milagre do Sol. Deixou-nos ficar-Se a Si mesmo num pedaço de pão e num copo com vinho. Para aqueles que não acreditam são pão e vinho, para nós que acreditamos é o seu próprio corpo e sangue entregue por Amor. Porque o nosso Deus nos ama, todos os domingos (e não só) podemos encontrar este Filho de Deus, que se oferece à morte e dá-nos a sua ressurreição por amor. Deus deixa assim ficar aquilo que de mais precioso possui – o Seu próprio Filho.
Pediu Jesus aos seus amigos que fizessem “isto em memória de Mim”. Este “isto” não é só repetir os seus gestos na última ceia, mas vai para além disso, este “isto” é repetir o cuidado, que brota do amor, para com todos os que me rodeiam, é dar-me como Ele se deu, é pensar no próximo antes de pensar em mim, mesmo que isto me traga sofrimento, solidão e desconforto.
Ora este “isto” e o pedido que a Senhora fez àqueles três pastorinhos é a mesma coisa. Rezar pelos pecadores, fazer “sacrifícios” físicos, arriscar a própria vida em prol da verdade e da justiça foi o pedido da Virgem, que as
crianças receberam com os conhecimentos que à data possuíam, que em boa verdade eram muito reduzidos.
Mas voltemos aos nossos dias, caros voluntários!
Hoje o pedido é o mesmo, que me vale rezar o terço ou um rosário, se depois não aceito o pedido de Jesus e da Virgem Maria, Senhora de Fátima de me doar como eles se doaram. “Fazei isto em memória de Mim” continua a ser o pedido feito ao CVOM sempre que nós saímos em campanha, quando a preparamos, quando acolhemos os peregrinos, cozinhamos em campo, lavamos loiça vermelha (que tem o condão de nunca mais acabar), não conseguimos descansar nem de noite nem de dia, quando temos atenção a cada palavra (já no fim da campanha) para não ferirmos o irmão ao nosso lado que está tão ou mais cansado do que eu. Não será isto o “isto” que Jesus nos pede? O “isto” que Maria pediu aos pastorinhos? 
Continuamos a Servir os Pobres e a Defender a Fé como nos diz o lema da nossa Ordem. Pelo nosso exemplo, melhor dito, pela nossa doação de nós mesmos damos testemunho do Amor de Deus no meio da nossa sociedade, que não é diferente daquela que os pastorinhos encontraram. Assim, uns acreditam outros não, mas nós – CVOM – continuamos sem medos pois sabemos que o que nos move não são honras nem glórias mas sim o grande amor que Cristo, presença real eucarística, me dá. Ele me fortalece e guias os meus passos. E Sua Mãe, nossa Mãe, com a sua proteção orienta-nos para o Filho, pois como Ele também nós somos seus filhos.
Termino com uma última palavra referindo o Sol, sim o do milagre, o de todos os dias, ou Cristo sol das nossas vidas. Momentos teremos que nos parece que o Sol se põem, e que ficaremos às escuras, mas confio em Cristo Sol da vida, que todas as manhãs se levanta para nos iluminar “até que desponte o dia e nasça a estrela da manhã em vossos corações” (2 Pd 1, 19). Assim deveremos viver, para darmos testemunho, para aceitarmos a missão que nos foi confiada pelo nosso batismo e que atualizamos no nosso voluntariado no CVOM.
Obrigado Zé por me por a refletir com o CVOM, mesmo que seja à distancia de tantos quilómetros. Obrigado por estes 25 anos onde descobri a vocação ao SERVIÇO sacerdotal, consigo e com tantos voluntários que comigo lavaram pés, furaram bolhas, dormiram em tendas e rezaram. Uns que deixaram o CVOM, outros que agora chegam para continuar este trabalho de tantos anos. 
Obrigado Virgem Mãe, te pedimos por nós CVOM, para que possamos servir-te e ao teu Filho por muitos anos, com as nossas mãos, com a oração com a nossa vida.
Amem.


Pe João Pedro S.M. Bizarro